Hirsutismo

Saiba o que é e como tratar este mal

Um problema que pode afetar emocionalmente a mulher abalando sua autoestima.

O hirsutismo nas mulheres é caracterizado pelo crescimento excessivo de pelos terminais que seriam normais em partes do corpo tipicamente masculinas. Difere, portanto, da hipertricose, que é o excesso de pelos localizados em regiões onde a mulher normalmente já os têm. Mulheres descendentes de portuguesas, libanesas e de países banhados pelo mar Mediterrâneo, em geral, apresentam uma quantidade aumentada nas regiões tipicamente femininas e, neste caso, não se trata de hirsutismo e, sim, de hipertricose, devido a histórico familiar, o que é absolutamente normal. Já as orientais, no geral, possuem menos pelos que as mulheres de origem caucasiana e, estas, menos que as de ascendência portuguesa e libanesa, como citado.
Os pelos apresentam seu crescimento na dependência de hormônios produzidos pelo organismo, estes agem no folículo piloso fazendo com que pelos cresçam. Apenas a testosterona (hormônio masculino), que se encontra na forma livre no organismo, é capaz de atuar junto ao folículo piloso e promover o crescimento dos pelos. Assim, o hirsutismo pode aparecer na presença aumentada dos hormônios androgênios (hormônios masculinos presentes também nas mulheres) devido ao aumento da sensibilidade dos receptores a estes hormônios ou pela alteração no seu transporte no organismo, fazendo com que aumente a fração livre do hormônio circulante.
Portanto, mesmo com a taxa de hormônios masculinos dentro do limite da normalidade, pode haver crescimento dos pelos graças a uma sensibilidade maior do folículo piloso.
Uma situação curiosa é a da mulher durante a menopausa. Em geral ocorre o que chamamos de aumento relativo dos hormônios masculinos, ou seja, a taxa total está normal, mas se comparadas com as de hormônios femininos, que estão diminuídas nesse período, vê-se que os masculinos estão aumentados. Assim, podem aparecer alguns pelos, principalmente na face dessas mulheres.
Situação não comum é o aparecimento de pelos em regiões tipicamente femininas em crianças menores de oito anos. Nesses casos pode-se tratar de outras patologias que necessitam ser investigadas.
Os hormônios masculinos são produzidos pelos ovários, glândula suprarrenal e pela pele, esta última, por meio da conversão periférica citada anteriormente. Nas mulheres encontramos alguns tipos de hormônios masculinos, sendo o mais importante deles a testosterona. Além dele, podemos citar a androstenediona, a deidroepiandrosterona e  seu sulfato. Deste total, dois terços da testosterona são produzidos direta ou indiretamente pelos ovários.
Nas mulheres não hirsutas, apenas 1% da testosterona encontra-se livre e, portanto, capaz de atuar. Já nas hirsutas, cerca de 2% do total de testosterona encontra-se livre, podendo atuar junto ao folículo piloso e desenvolver o aumento dos pelos. Também há aquelas mulheres que apresentam taxas hormonais dentro do limite da normalidade e mesmo assim apresentam o hirsutismo denominado idiopático (sem causa justificada).
Muito importante em casos de hirsutismo é avaliá-lo por meio de uma escala que nos permita quantificá-lo e saber seu grau de comprometimento. Essa escala é conhecida como Escala de Ferrimam e Gallwey e deve ser utilizada pelo médico ao avaliar sua paciente. Por meio dela podemos saber o grau de acometimento da paciente. Ainda sobre esse aspecto é de suma importância saber de que forma apareceram esses pelos, ou seja, se foi de uma maneira repentina ou não e se sua evolução está lenta ou rápida.
Um histórico clínico completo e um exame físico adequado são essenciais para o correto diagnóstico, além de alguns exames complementares. É comum a paciente apresentar, além do aparecimento de pelos, acne, seborreia, alopecia (perda de cabelos ou pelos), irregularidade menstrual e, em casos mais severos, aumento do clitóris, engrossamento de voz e aumento da massa muscular.
Chama a atenção e causa preocupação o aparecimento abrupto de pelos com crescimento rápido, pois sua origem pode vir de um tumor ovariano ou da glândula suprarrenal. Quando o crescimento for lento, possivelmente não tem origem tumoral. Daí a importância de esses fatos serem percebidos pela paciente e comunicados ao profissional durante a consulta médica. Entretanto, deve ser lembrado que, felizmente, as causas tumorais são raríssimas.
Para fazer o diagnóstico, além da história clínica e acurado exame físico, são necessárias algumas dosagens hormonais (perfil androgênico) e exames de imagens, como ultrassonografia, algumas vezes ressonância ou tomografia. Doenças como a hiperprolactinemia (aumento do hormônio da lactação) e doenças da tireoide também podem levar ao hirsutismo, devendo ser pesquisadas.
O tratamento do hirsutismo baseia-se na supressão dos androgênios circulantes em excesso ou no bloqueio de sua ação no pelo, com o objetivo de diminuir a quantidade do hormônio circulante ou sua ação no pelo. Os casos de ovários policísticos receberão o tratamento adequado.
A resposta ao tratamento é lenta, pois obedece ao ciclo de crescimento do pelo, que alterna fases de crescimento, involução e repouso, que duram em média seis meses. Portanto, só é possível perceber melhora do quadro em torno de seis a nove meses após o início do tratamento; além disso, os pelos estão em fases de crescimentos diferentes e a medicação não poderá atuar em todos ao mesmo tempo. Por isso, o tratamento deve ser mantido por 18 a 24 meses, pois é considerado tempo dependente.
Outro fato importante é saber que, com o tratamento, os pelos não deixarão de crescer e, sim, o farão de maneira mais lenta e ficarão mais delgados, portanto, menos perceptíveis. As mulheres com história familiar de pelos aumentados poderão ter de manter o tratamento por longos períodos, pois não se altera a genética.

Ginecologista Obstetra especialista em Reprodução Humana e Cirurgia Endoscópica

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