HANSENÍASE

A doença já tem cura, mas e o preconceito?




Durante muitos anos só de ouvir o nome dessa doença, muitos corriam para longe. O medo do contágio era grande, o que ajudava a reforçar mais ainda o preconceito. Por isso, muita gente que apresentava os sintomas, ficava calado, não buscava um diagnóstico e muito menos um tratamento. Só quando a doença já tinha progredido demais é que a pessoa buscava ajuda e as vezes já era tarde para evitar as sequelas ou o agravamento da doença.
Hoje, sabemos que a hanseníase tem cura. O tratamento é gratuito e os medicamentos estão disponíveis no Serviço de Saúde em todo o país. Não há mais razão de ter medo da doença ou preconceito contra as pessoas com hanseníase.
A hanseníase pode atingir homens e mulheres em qualquer idade, sendo mais grave quando ataca pessoas com menos de 15 anos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) o Brasil é o segundo país em números de casos de pessoas com hanseníase, o que traz um grande alerta para todos nós. Para saber mais sobre esta doença, a entrevista desta semana é com Clóvis Boufleur, gestor de Relações Institucionais da coordenação nacional da Pastoral da Criança.

Infelizmente as estatísticas mostram que o Brasil ocupa o 2º lugar em casos de hanseníase, por que isso?

 Nós temos ainda essa chaga no Brasil, que é esquecida pelo serviço de saúde, pelos governos, e que muitos não se interessam em resolver este problema de saúde publica. Todos os anos quase 30 mil pessoas no Brasil começam o tratamento desta doença. A eliminação da hanseníase é possível com esforço e mobilização e nós precisamos enfrentar este problema.

Muitas pessoas ainda tem dúvidas e não sabem reconhecer a hanseníase. Explique o que é esta doença?

A hanseníase é uma doença causada pelo micróbio conhecido como bacilo de hansen que ataca a pele os nervos e quando o tratamento é muito tardio, demorado, e a pessoa não vai logo ao serviço de saúde, esta doença pode até provocar algumas deformidades físicas. Por isso é preciso tratar logo que se observar os sinais da doença.

E como se transmite a hanseníase?

As pessoas com a forma contagiosa da doença, sem tratamento, são as transmissoras da hanseníase, por meio das vias respiratórias como tosse, fala ou espirro. A hanseníase não é hereditária, não passa de pai pra filho e nem se transmite através do abraço, aperto de mão e expressões de carinho. Em casa ou no trabalho não é preciso separar roupas, pratos, talheres e copos. As pessoas que moram com alguém que recebeu o diagnóstico da hanseníase devem ser examinadas no serviços de saúde e orientadas para reconhecer os sinais e sintomas dessa doença.

Quais são as principais sintomas da hanseníase?

Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo. A pessoa com hanseníase pode ser tocada no local da mancha e não sentir queimar e se machucar e não sentir dor. Os nervos embaixo da pele principalmente ao longo dos braços, mãos, pernas e pés, quando é atacado pelo bacilo, ficam engrossados, ficam fracos, com a sensação de formigamento, choques, fisgadas ou agulhadas.

Como é possível saber se uma pessoa tem hanseníase?

O sinal mais evidente é a mancha esbranquiçada na pele. A pessoa não transpira no local e não sente dor. Nas escolas, por exemplo, as professoras podem observar na hora da educação física quando as crianças tiram a camiseta, quando vão nadar ou fazer alguma atividade física, é possível visualizar facilmente. E em casa os pais precisam ficar atentos na hora do banho, por exemplo, e olhar se a criança tem alguma mancha ou a própria pessoa pode se autoavaliar diante do espelho ou olhar seus braços, suas pernas. Se surgir algum sinal de uma mancha esbranquiçada que não dói ao tocar é um sinal de que é preciso buscar o serviço de saúde.

Como é feito o tratamento da hanseníase e quanto tempo dura este tratamento?

Existem dois tipos de tratamentos. O tratamento para a doença quando há poucas manchas, que é chamada de paucibacilar, tem duração de 6 meses e o tratamento mais longo, que é de um ano, para hanseníase com muitas manchas ou multibacilar. O tratamento inicia-se no serviço de saúde e depois deve-se continuar em casa com um comprimido diário que é oferecido de graça pelo serviço de saúde em todas as unidades básicas de saúde do Brasil.
Como trata-se de antibiótico não se deve parar o tratamento pela metade, somente por que percebeu que sumiram algumas manchas ou que houve uma melhora no quadro, é preciso manter o tratamento até o final.

É possível prevenir a hanseníase?

A prevenção se dá pelo tratamento logo que a doença aparece, pois a pessoa deixa de transmitir. A prevenção é o tratamento precoce, imediato. Existe também a vacina BCG que ajuda a evitar a propagação da doença. A vacina consegue manter o sistema mais imune principalmente para que a doença não se manifeste tão violentamente. Todas as crianças recebem esta vacina na unidade de saúde, os adultos também podem tomar a vacina caso não tenham recebido na infância.
Infelizmente ainda vemos no Brasil, medo, preconceito, discriminação com quem tem hanseníase, o que você poderia nos explicar sobre isso?
Algo que devemos ter claramente é que a hanseníase não se transmite com o uso de copos, talheres ou mesmo apertos de mão, doação de sangue e ela não impede que as pessoas continuem no trabalho ou continuem a vida normal na escola. É preciso saber que a forma de transmissão é basicamente através do espirro, das gotículas nasais e que  a hanseníase tem tratamento. A pessoa precisa ir até a unidade de saúde, fazer o diagnóstico e sair de lá com o remédio para fazer o tratamento. Já nos primeiros dias do tratamento ela deixa de transmitir a doença.
A Pastoral da Criança tem uma parceria para ajudar a eliminar a hanseníase no Brasil.
A Pastoral da Criança se une a muitas entidades e governos que querem eliminar a hanseníase no Brasil. Nós produzimos um material educativo sobre a hanseníase e  levamos a diante uma série de atividades junto as famílias, como orientação e busca de resultados que possam mostrar que é possível eliminar esta doença.

Brasil apresenta redução de novos casos de hanseníase

Dados do Ministério da Saúde mostram que houve uma redução de 12% de novos casos de hanseníase no país entre os anos de 2004 e 2012. A Pastoral da Criança, em parceria com a CNBB, Pastorais sociais e Ministério da Saúde, participa da campanha pela mobilização e conscientização sobre a hanseníase, com ações específicas de combate, identificação e tratamento da doença.


A meta de eliminação da hanseníase como problema de saúde pública, definida como prevalência inferior a um caso a cada 10 mil habitantes, foi definida na Assembleia Mundial de Saúde, em 1991, e permanece vigente para os países como o Brasil e regiões que ainda não a alcançaram.  Em 2010, a OMS (Organização Mundial de Saúde), revisou a Estratégia Global para a redução da carga da doença no período 2011 - 2015, na qual enfatiza a garantida da qualidade da assistência ao paciente.



O Brasil mantém a queda na incidência da hanseníase no país. Entre 2004 e 2012, o coeficiente de detecção de casos novos caiu 12%. Entre menores de 15 anos, este percentual baixou 6,7%. Os dados mostram que, em 2004, eram 1,71 casos novos por 10 mil habitantes. Em 2012, o coeficiente de detecção geral foi de 1,51 por 10 mil habitantes.



Os estados de Mato Grosso, Maranhão e Tocantins apresentam coeficientes de prevalência alto, entre 5 e 9,99 casos por 10 mil habitantes, enquanto todos os estados da região sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, na região sudeste, somados ao Rio Grande do Norte, no nordeste, alcançaram a meta de eliminação da hanseníase enquanto problema de saúde pública.



No Brasil, apesar da existência de diferenças regionais importantes na carga da hanseníase, com concentração de casos nas regiões Norte e Centro-Oeste, a redução contínua da endemia no Brasil na última década é notável. Tal redução tem sido verificada, pela redução do número de doentes em tratamento, pela redução do número de casos diagnosticados em adultos e crianças, bem como pela redução de números de casos diagnosticados com lesões incapacitantes.


Pastoral da Criança participa da mobilização contra a hanseníase

Desde o ano de 2000, a Pastoral da Criança integra a Rede Global de Eliminação da Hanseníase e mobiliza esforços nos municípios onde existem muitos casos da doença. O alerta para ficar atento à doença, no entanto, serve para todas as comunidades. No Brasil existem muitas pessoas com hanseníase, nas diferentes faixas etárias, que podem não saber quais são os sinais da doença e que ela pode ser tratada gratuitamente e curada. A falta de informação e as lendas sobre a doença prejudicam a identificação da Hanseníase, geram preconceito e dificultam o tratamento.


Em 2012, a Pastoral da Criança implantou uma nova estratégia para acelerar a eliminação da Hanseníase no país. Foram identificados os municípios com maior incidência da doença nos estados Goias, Mato Grosso do Sul, Ceará e Mato Grosso. 

Após a mobilização dos habitantes, sociedade e poder público, os líderes da Pastoral da Criança foram capacitados e motivados a realizar reuniões informativas e distribuir o material educativo para as famílias. 
Após seis meses de mobilização, os resultados são surpreendentes. No município de Sinop (MT), houve uma redução de 72% de novos casos e todos estão realizando o tratamento, o que contribui para a diminuição de novos casos no município.
No Brasil, 1.369 comunidades da Pastoral da Criança desenvolveram a ações e mobilização e conscientização para a eliminação da Hanseníase. Nestas comunidades, foram identificados 600 casos, sendo 4% em crianças menores de 6 anos e 81% dos doentes estavam fazendo o tratamento.
Além de participar da mobilização nacional para conscientização da hanseníase (tratamento e cura, no dia 10 de outubro) a entidade também prepara materiais específicos de comunicação sobre sintomas, tratamento e meios de prevenção da doença. A estratégia da Pastoral da Criança é a soma de esforços com dioceses, paróquias, congregações religiosas como os Franciscanos e Franciscanas e outras. Os líderes da Pastoral da Criança são parceiros na luta contra a Hanseníase no Brasil e por estarem próximos das famílias, podem ajudar a reconhecer sinais da doença e orientá-las na busca de tratamento nos serviços de saúde.

Onde é feito o tratamento da hanseníase?

Nos postos e centros de saúde, Programa de Saúde da Família (PSF) e outras estratégias da atenção básica de saúde da população, que devem estar preparados para atender as pessoas que contraírem hanseníase. A consulta e todo o tratamento, até os medicamentos, são gratuitos. É dever do governo atender a todas as necessidades do tratamento, incluindo a prevenção de incapacidades e a reabilitação. O portador de hanseníase, seus familiares e a comunidade devem exigir esse direito.

Há necessidade de separar o portador de seus familiares?

Não. A pessoa que está fazendo tratamento de hanseníase pode e deve ficar junto de sua família, no trabalho, na escola, sem sofrer separação ou rejeição. Todo portador de hanseníase, mesmo os que tem formas contagiantes, deixam de contagiar as pessoas assim que iniciam o tratamento, Por isso, o tratamento é feito em ambulatório e o portador de hanseníase deve continuar a realizar suas atividades normalmente.

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É necessário afastar o paciente em tratamento do seu trabalho?


Não. Todos os pacientes que fazem tratamento regular devem continuar trabalhando normalmente. A legislação sanitária afirma que é dever dos profissionais da saúde "garantir a manutenção dos doentes no trabalho, independente da forma clínica observada".

Quais os direitos e deveres do paciente?

Os pacientes de hanseníase têm todos os direitos assegurados como qualquer cidadão, além dos que lhe são garantidos pelas portarias ministeriais, que são os seguintes:
a) Portaria nº 724/eM, de 06/07/93, que instituiu o Comitê Técnico-Assessor de Dermatologia Sanitária, onde o Morhan participa como membro integrante.
b) Portaria nº 8141CM, de 22/07/93, que regulamenta o tratamento da hanseníase no país (D.O. 04/08/93).
Quanto aos deveres, os pacientes também devem ser alertados quanto á sua parcela de responsabilidade no tratamento, pois sem isso não haverá controle da infecção, nem cura da doença e nem eliminação do problema no país. Para outras informações procure o centro de saúde mais próximo de sua casa ou ligue para o TELEHANSEN® 0800262001.

Quanto tempo demora o tratamento? 

Se a pessoa tiver menor quantidade de bacilos (Formas Paucibacilares), o tratamento Poliquimioterápico (PQT) demora 6 meses ou 6 doses. Se tiver maior quantidade de bacilos (Formas Multibacilares), 1 ano ou 12 doses para a cura.
A PQT é doada para o Brasil pela Organização Mundial de Saúde, e tem que estar em todos os municípios gratuitamente.

Onde se tratar de hanseníase?

O tratamento é gratuito e ambulatorial, não necessitando de internação hospitalar, exceto em caso de complicações. Os medicamentos são fornecidos pelos diversos locais autorizados (unidades sanitárias, centros de referência, hospitais escola).

Diagnóstico diferencial:


Hanseníase dimorfa


Hanseníase indeterminada



Hanseníase tuberculóide



Hanseníase neural pura: PB OU MB                                       

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